domingo, setembro 17, 2006

Estações

A vida segue porque os caminhos não param. Desnecessário correr porque tudo segue um tempo, um curso, um rumo. Olhar para frente pode ser o mais assustador e o mais leve por ser desconhecido o próximo chão, e desconhecer é a chave para os passos curtos.

As trilhas que abri não foram em busca de respostas. São as perguntas que geram outras tantas e atingem pontos que são estações sucessivas. Partidas, chegadas, encontros, reencontros e despedidas. Pode sempre haver uma palavra ou carta deixada em cada uma dessas estações, mas o que fica mesmo é a sensação de ter por ali passado, guardada numa retina andarilha em lado esquerdo.

A vida segue porque os caminhos não param. E nem são os caminhos que tanto importam. Cada um segue o seu. São os rumos que dão rumo. São os encontros que mudam estes.

Andar é deixar-se levar. Amar é deixar-se andar. Expor-se ao tempo, ao clima. Permitir-se estações porque a vida é cíclica. Ela vai e nos leva com ela, e nos traz de volta ao mesmo ponto que nunca é o mesmo, porque as retinas registram sensações mutáveis e se transformam à medida que fotografam.

A vida segue porque os caminhos não param. O mundo é um caminho único em que pessoas se encontram e se moram. Casa daqueles que não têm casa porque vivem em outras tantas. Só quem pára às vezes sou eu pelo respeito a outros rumos que seguem cruzando o meu. Só quem cala às vezes sou eu pela entorpecida personalidade do confiar nas retinas do desconhecido.

Não há meu rumo certo. Há meu rumo certeiro. Este é aquele que não pára ainda que eu pare, porque perpetua em outros rumos que não o meu. Como numa estação que acolhe e protege e deixa ir. A vida segue.





[Velho texto ainda atual. Sempre há caminhos.]

4 Comentários:

Às 18/09/2006 18:14, Blogger Lu Dias disse...

"Andar é deixar-se levar. Amar é deixar-se andar. Expor-se ao tempo, ao clima. Permitir-se estações porque a vida é cíclica." (É mesmo?) Ah!... e amar se aprende...

 
Às 18/09/2006 19:38, Blogger .: Tatiana Monteiro :. disse...

Andar se aprende. Passo a passo.
No ritmo próprio de cada um, e as condições do terreno.

 
Às 21/09/2006 23:18, Blogger Vinha disse...

andar no desconhecido... doce veneno. É doce, mas embriaga, entorpece... embriaguez que às vezes se sobrepõe aos sentidos. E mesmo que causem dor... ou que seja temor... são doces as descobertas...

 
Às 22/09/2006 03:09, Blogger .: Tatiana Monteiro :. disse...

Todos sentidos e sabores nos desconhecidos caminhos.
A degustação leva além.
;-]

 

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