sexta-feira, maio 20, 2011

Ruy, o Peugeot Equilibrista

Bom, fiquei devendo o relato do maior 'causo' acontecido no Rally da Ferrugem 2011 (26/03), então vamos lá. É claro que, tendo já passado tanto tempo do ocorrido, os fatos já se misturam aos mitos e, despretensiosamente, narrarei aqui apenas a versão de quem estava dentro do carro, já que os que estavam de fora, certamente, tiveram uma visão, digamos, menos 'inclinada', da coisa...

Pois bem, depois de mais de seis horas de prova, já na 3ª etapa do Rally, estávamos eu, Tatiana, a navegadora do dito carro 36, e a Andressa, que pilotava o Ruy (codinome "Peugeot Equilibrista") já completamente desbaratinadas depois de tanto rever a tal 'árvore de espinhos', ainda procurando o que viria a ser o tal 'matinho vapt-vupt', e muito P da vida com a possibilidade de cogitarem que uma tulipa com uma descrição de 'pinheiro à esquerda' no meio de um pinheiral serviria de referência pra algum ser não portador de talentos paranormais identificar. O caso é que o sol já se punha e, com mais lama dentro do carro que nos vasos de planta lá de casa, a gente simplesmente perdeu qualquer referência nas proximidades da barragem de Brazlândia e, lembrando os sábios conselhos do mestre Armando, resolvemos carrapatear o primeiro carro que surgiu a nossa frente; no caso, o Troller verde da dupla Luciano e Fabiana. Bom, aproveito a ocasião para acrescentar uma informação de suma importância para os rallyzeiros de primeira viagem que, num ato de desespero, resolverem carrapatear alguém. Este aviso deve ser levado com grande consideração, visto que trata-se de uma advertência óbvia e, como toda coisa óbvia, ainda mais num rally, passa facilmente desapercebida: é impossível um Peugeot 206 acompanhar um Troller na lama. Ok? Bom, tendo dito isto, volto à narrativa. Seguíamos nós atrás do Troller, rezando para que eles, pelo menos, soubessem onde estavam indo... Pra nossa infelicidade, num dado momento, deparamo-nos com uma lombada na saída de uma curva. O Troller, que ia lentamente pelo caminho, derrapou e patinou um pouco sobre a dita cuja mas, assim que retificada a direção das rodas e, quem sabe, acionado o 4X4, passaram pela lombada sem maiores contratempos. Já o Peugeot... Bom, a Andressa tentou transpor a lombada uma, duas, três vezes sem sucesso. O carro patinava muito ao atingir a parte mais alta desta e sempre voltávamos ao mesmo lugar. Foi aí que resolvemos dar uma pequena ré para, então, quem sabe vindo numa velocidade baixa e constante conseguíssemos finalmente passar por ali. Mal a ré foi engatada que o Ruy, ainda deslizando na lama, começou a descer pela estrada, já completamente fora do controle da Andressa e... precipitou-se no buraco. Só me lembro da cara de pânico da Andressa, da sensação de queda e, automaticamente, puxei o freio de mão. (Acho, inclusive, que além de navegadora, no adesivo do carro com a identificação da dupla, deveriam incluir o símbolo de piloto também ao lado do meu nome, depois desse ato impetuoso de bravura e pilotagem...). Bom, passado o desespero inicial da fatalidade, veio o desespero real ao estudarmos nossa possibilidade de resgate antes do Rally do Produtor (21/05). Os celulares não apresentavam sinal, o carro que estava à nossa frente a muito tempo que havia sumido na mata e, até onde supúnhamos, estávamos completamente fora da trilha, ou seja... Será que alguém passaria por ali?? Pra piorar a situação, a Andressa havia soltado o cinto de segurança dela instintivamente no momento da queda e a minha janela estava completamente aberta... Resumindo, caso alguém se mexesse ali e o carro tombasse pra dentro do buraco, não só a lama iria adentrar com vontade pra dentro do Ruy, como possivelmente a Andressa iria parar ali na minha janela. Enfim, tratamos de ficar bem quietinhas, respirando somente o necessário e inclusive falando baixo que era pra não dar chance pro azar. E não demos. Sei que, após darmos muito sinal de luz e fazermos a buzina gritar tanto até acabar, eis que aquele abençoado Troller verde passa novamente ao nosso lado! O Luciano e a Fabiana, incansáveis e sedentos de desafios na estréia deles no rally de regularidade, contrariando a sugestão da organização da prova que deu esta por encerrada, resolveram refazer o trecho que se perderam na tentativa de acertarem, ainda que não fosse haver pontuação naquele pedaço da prova. E nessa de refazerem o caminho foi que passaram por nós. Contactaram o pessoal da organização e informaram da situação. Em pouco tempo, o Clis e sua comitiva chegaram ao local em que estávamos penduradas.

Foi aí que começou novo capítulo da novela "Ruy, o Peugeot Equilibrista": o salvamento. Gente dizendo que tinha que puxar daqui, outros que tinham que amarrar acolá... O consenso era só que, antes de tentarem nos tirar do carro, este deveria ser sustentado de alguma forma. Amarra, prende, puxa, solta... O tempo passando, meu braço morrendo... Já que, desde aquele momento em que puxei o freio de mão, lá ficou ele, segurando todo o peso do meu corpo para que eu não escorregasse em direção à janela aberta.

Quando tudo estava devidamente seguro, abriram a porta do motorista e puxaram a Andressa. Em seguida, seria minha vez. Ao estenderem a mão para que eu pegasse, fui colocar a prancheta com a planilha da prova no banco de trás do carro mas, subitamente, alguém agarrou também esta minha mão e fui tirada do carro sem nem perceber como. Ainda tive que aguentar gozações com relação a como sou uma navegadora aplicada que, mesmo sob condições adversas, não me desgrudo da planilha... Mereço.

Bom, esta aventura teve, graças à Deus, um final bem feliz. O Ruy, contrariando todas as leis de Newton, saiu ileso da batalha. Quanto a nós, não só ganhamos um lindo troféu e popularidade (diga-se, as honrarias da zoação), como a certeza de que, ainda que no mato, na lama e na noite, podemos contar com amigos para, literalmente, tirarem a gente do buraco.




3 Comentários:

Às 23/05/2011 11:26, Blogger coresquenãoseionome disse...

pode xingar?

CA-RA-LHO!!!

 
Às 23/05/2011 14:50, Blogger .: Tatiana Monteiro :. disse...

Auahuahauhauahu!
Pode... Agora pode.
Mas lá na hora, no sufoco, nem chorar podia! Vai que uma lágrima escorria fora de prumo e desequilibrava o Ruy, né???
Nem.
Auahuahuauha!
Mas valeu!! Estamos hoje no 2º lugar no campeonato, após 6 etapas. (Só atrás do casal do Troller verde que, como nossos salvadores-mor, merecem MUITO!)
^^

 
Às 23/05/2011 23:11, Blogger coresquenãoseionome disse...

2o lugar, é? tão demais vcs...!!! ;)

"mas valeu"?? valeu pq vcs tão vivas e inteiras... valeu, valeu... ta doida?!

hahaha!

 

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